segunda-feira, 8 de agosto de 2011

GRITO POR UMA EUROPA NOVA E UMA NOVA EUROPA.



A Europa tem uma história cruel e simultaneamente bela. É cruel pelos bárbaros crimes dos impérios, das guerras, dos fascismos e do colonialismo. Ainda é bárbara, porque continua a apoiar regimes neo-coloniais e fazer de conta que imensos governos do Mundo com quem tem trocas politicas, culturais e económicas não desrespeitam os direitos humanos, e mais grave, ainda lhes vende armas. Esta Europa néscia devia morrer, porque é porca.


Todavia, lado a lado com esta Europa há a da cultura helénica, da arte, da beleza, da democracia e da solidariedade, isto é, sem esta segunda Europa esplendorosa o mundo seria pior, e nós, os portugueses, estaríamos bem mais longe dos actuais níveis civilizacionais e de desenvolvimento, em que nos encontramos.


Por tudo isto, pese embora a crise, a Europa e a sua Utopia devem viver, mas de um outro modo.


Entre a morte da Europa anunciada pelo céptico, azedo, embora inteligente, Pulido Valente, e a utopia de construir a Europa social e a casa comum de todos os europeus, como defende Eduardo Loureço e Anthony Giddens, alinho pela posição destes, com uma grande-pequena diferença, não defendo a Europa elitista dos bem pensantes ou bem pagos, mas sim uma Europa a fazer de raiz por todo o povo plebeu deste continente.


Grito por uma Europa Nova, uma Nova Europa a Europa dos cidadãos e não pela Europa néscia dos ricos e seus testas de ferro, sem verve e determinação para nos retirarem da rota de secundarização perante os EUA e a China.


Temos de reinventar a Europa com um Povo europeu, com portugueses, alemães europeus, como os Hispano-americanos e outros que existem nos EUA.


Da minha parte, considero-me madeirense-português- europeu e nos três domínios farei tudo o que puder por uma Europa, um Portugal e uma Madeira Democráticos, com democracia, que é o que cada vez menos existe na Europa e em Portugal, e, isto, é, sim, o princípio da sua decadência e do seu fim, o que é urgente evitar, sobretudo para bem dos povos.


Seria bom nunca esquecer que a morte da Europa abre lugar à sua Chinezição, isto é, ao jugo sob a pata dura, cruel e ditatorial chinesa que nos dominará e não à desagradável pata imperial americana, que apesar de toda a sua maldição, é bem menos maldita que a chinesa, que se comprar a quase totalidade da dívida pública do mundo, nos obrigará a trabalho sem direitos e sem horário, etc..


Contudo, a compra das dívidas soberanas pela China comporta um risco muito grave, o de ficar com os títulos, mas o países serem insolventes, e, então, só a guerra de conquista poderia salvar a China.


Seja como for, para não se regressar a idades de Trevas, é preciso REINVENTAR A DEMOCRACIA, COM DEMOCRACIA, e a Europa quê dê suporte a esta utopia, muito difícil, porque as democracias, sem democracia geraram um conjunto enorme de filisteus que se fingem democratas, e que ameaçam a democracia.


Grito pela Europa social dos Povos e do Povo.


andrade da silva

1 comentário:

Marília Gonçalves disse...

Capitão, quando deixei a França do exílio político do meu pai, onde eu mesma me sentia prisioneira por herança política, ao ver-me liberta de tal jugo, jurei a mim mesma, não mais voltar a França, a não ser em veraneante, já que meus pais continuavam a residir em Paris, voltaria para os ver sempre que possível.
Quando se deu o 25 de Abril, jurei também a mim mesma, que nunca mais viveria num Portugal fascista! Aconteceu, que meu filho, adoeceu, nos inícios de 75 e que exames se foram prolongando sem solução, a entrar por Setembro adentro.
Sem possibilidade de prosseguir em Portugal o dispendioso continuar de exames e consultas no privado já que a Caixa, era o que sabia, meu marido funcionário da TAP, pediu transferência para Paris. Enquanto esta não era efectivada, meu filho a cargo de meus pais prosseguia os exames em França, aguardando os médicos para a passagem a exames mais completos e complexos, que o inicio de carreira de meu marido como beneficiário dos serviços sociais franceses,nos facilitasse o acesso a custos inacessíveis, para quem ia com Escudos, enfrentar o valor do Franco francês.
E contra a minha jura de solteira, vi-me de novo projectada para a terra onde tinha prometido, não mais viver! Foi muito dificil, habituar-me de novo a uma outra forma de exílio... chorei muito e foi mesmo muito difícil, até que com a chegada do François Miterrand ao Poder em 81,se iniciou o debate na Assembleia contra a pena de morte, ainda existente em França, por guilhotina. Assisti a todos os debates em directo pela TV. E essa França que para mim era simbolo de desterro, subitamente, comecei a vê-la com olhos diferentes. Ante tais debates, via, desfilar-me diante dos olhos, todos os que desde a Revolução Francesa e mesmo na sua origem, se tinham erguido clamando pelo Ser Humano e pelos seus Direitos. Hugo, Zola, Voltaire, Rousseau e muitos outros, de repente reconciliavam-me com a França, que deixava nesse momento de representar os Poderosos, mas os que pela Cultura e pela Arte se tinham ao longo de décadas e décadas insurgido contra o sofrimento humano.
Os Artistas, os Escritores, os Poetas, fizeram entrar a França, mesmo se tardiamente no meu coração.
E hoje se tenho além da força que esmaga os mais fracos, algo a apontar,contra esta Europa que nos impõe, é precisamente, não ter sabido criar um elo entre os Povos, universalizando, os seus Homens da Cultura e das Artes, aproximando assim os Povos um dos outros e apagando, com essa extraordinária embaixatriz da Paz,o desconhecimento em que os povos europeus vivem, de uns para com os outros
o meu abraço de Abril

Marília Gonçalves